Milhares de crianças da África Ocidental são enviadas para estudar em
escolas corânicas, sendo estas crianças geralmente designadas talibé. Muitas delas são
forçadas a pedir esmola e a conseguir angariar diariamente nas ruas por uma
determinada quantia de dinheiro, previamente estipulada pelo seu mestre corânico.
Nesta condição, estas crianças ficam sujeitas, frequentemente, à violência física e a
outras formas de abuso. Assim, as condições de vida destas crianças são precárias e
encontram-se, na maioria das vezes, em situação de extrema vulnerabilidade. Este
estudo, de natureza quantitativa, caracterizou as crianças talibé bissau-guineenses
identificadas e reintegradas durante o ano de 2022, bem como fez o mapeamento dos
locais de origem e destino destas crianças. Os resultados englobam um grupo de 196
crianças talibé bissau-guineenses, em situação de vulnerabilidade, tendo em conta
diversas variáveis como a idade, o sexo, a etnia, o local de origem, o local de destino,
a situação familiar, o modo de identificação, o motivo da partida e o local de entrada
na Guiné-Bissau, sendo apresentados em formato de infografias para as diferentes
variáveis. Para além disso, foram elaborados dois mapas com a representação dos 34
percursos que as crianças fizeram desde a sua origem até ao destino, na maioria para o
Senegal. Considerando os dados recolhidos, conclui-se que as entidades envolvidas na
proteção dos direitos das crianças devem estar melhor informadas aquando da
elaboração de políticas públicas, planos de ação estratégicos, projetos, ações de
intervenção ou sensibilização.