A sociedade contemporânea, profundamente marcada por uma cultura de consumo descartável, contribui significativamente para o agravamento da pegada ecológica e, consequentemente, para as alterações climáticas (AC). Torna-se, por isso, urgente uma educação sólida e eficaz que forme os cidadãos, desde cedo, para compreender e enfrentar este fenómeno global. Educar para as alterações climáticas representa um desafio complexo, dada a vastidão e a profundidade do problema (Chen, 2011; Worth, 2021). Diversos estudos indicam que muitos jovens evidenciam dificuldades em compreender conceitos fundamentais da ciência climática (Brindle, 2018, 2021; Parker & Kumar, 2018), enquanto numerosos professores referem sentir-se pouco preparados para abordar estas temáticas nas suas práticas pedagógicas (Monroe et al., 2017; Plutzer et al., 2016). Em Portugal, as AC estão previstas no currículo nacional ao longo de toda a escolaridade obrigatória, desde a educação pré-escolar até ao final do ensino secundário. Estas questões ambientais, de natureza transversal, podem ser trabalhadas em diferentes áreas disciplinares como Cidadania e Desenvolvimento, Estudo do Meio e Ciências Naturais (Casimiro, 2021).
As alterações climáticas (AC) representam um dos desafios globais mais urgentes da atualidade, com impactos profundos e abrangentes que afetam ecossistemas, economias e comunidades em todo o mundo. O sistema educativo tem responsabilidade para formar cidadãos mais conscientes do ponto de vista ambiental, no entanto, são muito e significativos os desafios que enfrenta (Eilam, 2022; Monroe et al., 2017). A sociedade contemporânea, marcada pela cultura do consumo, contribui para aumentar a pegada ecológica o que, por sua vez, agrava as alterações climáticas (Bauman, 2008; Druyan, 2020). Assim, educar para as AC torna-se um desafio complexo, não só pela extensão e profundidade do problema, mas também devido aos equívocos comuns que o rodeiam (Chen, 2011; Worth, 2021). Em estudos realizados, muitos jovens demonstraram dificuldades em compreender os conceitos básicos da ciência climática (Brindle, 2021; Ramos et al., 2023) e professores reportaram falta de formação adequada para abordar estas temáticas (Plutzer et al., 2016). Em 2021, a UNESCO avaliou os currículos de 100 países, e concluiu que apenas 47% desses países mencionam as alterações climáticas, geralmente, de forma superficial (UNESCO, 2022). Existe, portanto, uma urgência de educar, desde cedo, para a problemática do clima.