Valor agronómico de compostados à base de folhas de lúpulo Conference Paper uri icon

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  • Atualmente, o principal destino do lúpulo cultivado no mundo é a produção de cerveja. Não obstante, desde a antiguidade que inúmeros usos se conhecem ao lúpulo, nomeadamente na medicina natural para tratar diversas enfermidades, como planta ornamental, na alimentação humana e também como forragem e nas camas do gado. O lúpulo é uma planta trepadeira que chega a ultrapassar sete metros de altura, produzindo uma elevada quantidade de biomassa que origina elevada exportação de nutrientes. Os cones (inflorescências femininas) destinados à produção de cerveja representam uma pequena parte da biomassa produzida. No final da ripagem dos cones remanescem grandes quantidades de caules e folhas. Alternativas de aproveitamento destes recursos deverão ser equacionadas numa ótica de economia circular. Sendo uma planta de elevada exportação as folhas deverão ter um teor de nutrientes interessante para efeitos de compostagem. A presente investigação teve por objetivo avaliar o potencial de aproveitamento da biomassa produzida nos campos de lúpulo, nomeadamente das folhas, através de compostagem. O ensaio consistiu na compostagem de folhas de lúpulo com palha e com estrume em sete combinações diferentes: C1 (folhas/estrume,1/5); C2 (folhas/estrume,1/1); C3 (folhas/estrume,1/3); C4 (folhas/palha,1/2); C5 (folhas/palha,1/1); C6 (folhas/palha,1/0.5); C7 (folhas/palha/cinza, 1/1/0,004). Posteriormente os compostos obtidos foram utilizados como fertilizante orgânico no crescimento de alfaces, em vasos, utilizando três doses D0, D1 e D2 (0, 20 e 40 t /ha de matéria seca). Verificou-se que os compostados C6 e C7 apresentaram concentrações de N nos tecidos mais elevadas e mais baixas, respetivamente. Os teores mais elevados de nitratos e de amónia nos tecidos registaram-se com os compostados C2 e C5, respetivamente. A maior e a menor produção de biomassa registou-se para a dose D2, respetivamente para os compostados C6 e C4. As análises microbiológicas efetuadas aos solos, após a colheita das alfaces, indicaram uma variação significativa entre tratamentos na quantidade média de fungos e actinomicetas, com valores mais elevados a registarem-se nos solos com os compostados C4 (dose D2) e C6 (dose D1 e D2). A respiração basal monitorizada ao longo de 10 dias registou valores cumulativos significativamente diferentes, na sequência C1D1 > C4D2 > C6D2.
  • Os autores agradecem à Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT, Portugal) e ao FEDER no âmbito do programa PT2020 pelo apoio financeiro ao CIMO (UID/AGR/00690/2019) e bolsa de doutoramento de Sandra Afonso (BD/116593/2016).

publication date

  • January 1, 2019