Recuperação otimizada de antocianinas de Prunus spinosa L. e Ficus carica L. para aplicação como corante alimentar
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resumo
Os corantes alimentares são amplamente utilizados em todo o mundo para melhorar
as características dos alimentos, nomeadamente conferir uma nova coloração ou
intensificar a cor natural do alimento. No entanto, a maioria destes compostos é de
origem artificial e muitos deles têm revelado problemas de toxicidade para a organismo
humano. Entre eles, destacam-se reações alérgicas, hiperaüvidade e défice de atenção
em crianças, ou até mesmo propriedades cancerígenas [l]. Por outro lado, existem
moléculas de origem natural com elevado poder corante que não revelam toxicidade,
podendo assim ser aplicadas na indústria alimentar em detrimento das artificiais. O
presente estudo surge no seguimento desta problemática e visa recuperar antocianinas,
uma classe de compostos fenólicos com reconhecidas propriedades corantes, a partir de
fontes naturais muito pouco exploradas. Assim, o epicarpo dos frutos de Prunus spinosa
L. (abrunho), rico em cianidina 3-rutinósido e peonidina 3-rutinósido, e a casca dos
frutos de Ficus carica L. (figo), rica em cianidina 3-rutinósido, foram utilizados para
extração destes compostos. Para assegurar uma recuperação máxima, foram testadas
duas técnicas de extração, assistida por maceração (EAM) e por ultrassons (EAU), às
quais se aplicou uma metodologia de superfície de resposta usando o desenho composto
central circunscrito com cinco níveis em cada uma das variáveis independentes estudadas
(tempo, proporção de água-etanol como solvente e temperatura (EAM) ou potência
(EAU)). O perfil antociânico dos diferentes extratos foi obtido por HPLC-DAD-ESI/MS
e como respostas para o modelo foram utüizadas a concentração total de antocianinas
(C) no resíduo de extração (R; mg C/g R) e na amostra desidratada (A; mg C/g A), bem
como o rendimento de resíduo obtido (g R/g A).
Em ambas as matrizes, a técnica mais eficiente foi a extração assistida por ultrassons,
obtendo-se condições ótimas de recuperação de compostos aos 5 min, 400 W e 48%
de etanol no caso do epicarpo de abrunho, com um rendimento de extração de 0,69
g R/g A e um total de antocianinas de 18, 17 mg C/g Re 11,76 mg C/g A. Por outro
lado, a partir da casca de figo foi possível obter 17,0 mg C/g R e 3, 11 mg C/g A, e um
rendimento de 0,19 g R/g A, nas condições ideais de extração de 21 min, 310 W e
100% de etanol. Assim, a extração de antocianinas a partir de biorresíduos dos frutos
de abrunho e figo, com recurso a técnicas de extração não convencionais, revelaram
ser uma boa alternativa para recuperação destes compostos com vista à sua utilização
na indústria alimentar.