Impact of inspiratory muscle training on functional capacity, lung volumes, electrical activity and inspiratory muscle strength in hemodialysed patients Projetos uri icon

resumo

  • A insufuciência renal crónica (IRC) está a aumentar drasticamente e prevê-se que seja a 5ª causa de morte mais comum entre as doenças não transmissíveis até 2040 (Francis et al., 2024; Schardong et al., 2020). Os doentes com IRC sofrem alterações sistémicas, particularmente na sua composição corporal, tanto devido ao aumento dos fluidos corporais como à perda acentuada de massa muscular (Avesani et al., 2023). Com a diminuição da taxa de filtração glomerular e o aumento da albuminemia, a massa muscular diminui (Nishi et al., 2020). Assim, a sarcopenia é um diagnóstico frequente nestes doentes e está associada a vários fatores como a inflamação renal crónica, alterações hormonais, alterações do estilo de vida devido à redução do apetite, restrições alimentares, restrição da atividade física durante as sessões de diálise e fadiga após a diálise, perda de proteínas durante a diálise (Shu et al., 2022). Tal como em outros grupos musculares, a função dos músculos inspiratórios em doentes com IRC em hemodiálise está comprometida, com achados como redução da espessura do diafragma, redução da força muscular, alteração dos volumes pulmonares e redução da função pulmonar (Campos et al., 2018; Dipp et al., 2020; Figueiredo et al., 2018; Teixeira et al., 2023). Quando ocorrem sintomas respiratórios, a avaliação da estrutura e função dos músculos respiratórios é essencial. A eletromiografia de superfície é recomendada na investigação e na prática clínica para avaliar os músculos respiratórios (Laveneziana et al., 2019), com uma correlação demonstrada entre o impulso respiratório neural e a sensação de dispneia, as exacerbações e a mortalidade (Jonkman et al., 2024). Não existem estudos que tenham avaliado a atividade eléctrica dos músculos inspiratórios em doentes em hemodiálise. A espirometria é recomendada para avaliar os volumes pulmonares em qualquer patologia com sinais ou sintomas sugestivos de alteração da função pulmonar (Laveneziana et al., 2019). O exercício físico regular tem sido recomendado nas últimas décadas como uma intervenção não-farmacológica essencial para estes doentes. À semelhança de outros músculos esqueléticos, os músculos inspiratórios podem ser fortalecidos através de treino específico (Teixeira et al., 2023). Vários estudos têm demonstrado a eficácia do treino muscular inspiratório (TMI) em doentes hemodialisados: aumento da capacidade funcional, melhoria dos biomarcadores inflamatórios, redução da sensação de dispneia e fadiga, melhoria da qualidade de vida, aumento dos volumes pulmonares e aumento da força muscular inspiratória (Dipp et al., 2020; Laveneziana et al., 2019; Medeiros et al., 2019; Pellizzaro et al., 2013; Yuenyongchaiwat et al., 2021). Além desses benefícios, o TMI é de fácil implementação, tem baixo custo, não requer um espaço físico específico e pode ser implementado em unidades de hemodiálise quando outras modalidades de treino são inviáveis (Figueiredo et al., 2018). No entanto, os estudos disponíveis apresentam amostras pequenas, heterogéneas e intervenções e avaliações diversificadas (Zhang et al., 2023). Os resultados em doentes hemodialisados ainda são limitados, por isso são necessários mais estudos para definir protocolos de intervenção que possam ser replicados. Este estudo pretende avaliar o impacto do treino muscular inspiratório na capacidade funcional, atividade eléctrica dos músculos inspiratórios, volumes pulmonares e força muscular inspiratória em doentes hemodialisados. Os objetivos específicos são avaliar o impacto de um programa de treino muscular inspiratório em doentes hemodialisados sobre: Capacidade funcional ( VO2 máximo e Teste de Marcha de 6 Minutos - 6MWT) Atividade eléctrica dos músculos inspiratórios avaliada por eletromiografia Volumes pulmonares obtidos por espirometria Parâmetros inspiratórios avaliados pelo dispositivo eletrónico Powerbreathe KH2® Sensação de dispneia (Índice de Borg) Qualidade de vida (KDQOL 1.3) Nível de atividade física diária (número de passos avaliados com o Garmin Forerunner 55). A clínica de hemodiálise Tecsam Mirandela presta cuidados a doentes com IRC numa parte considerável do nordeste transmontano. Tendo em conta a dispersão geográfica e a dificuldade de acesso a cuidados de saúde, é importante aproveitar todas as oportunidades para proporcionar cuidados de saúde altamente diferenciados. A duração da sessão de hemodiálise associada ao tempo de deslocação até à clínica e às comorbilidades associadas da maioria dos doentes, resultam num padrão sedentário que importa contrariar. Contamos assim com uma equipa multidisciplinar, nas várias áreas das ciências da saúde e do exercício físico, com vastos conhecimentos e experiência profissional na Reabilitação Respiratória e na prescrição de programas de exercício físico em situações de doença crónica, para estudar e esclarecer as variáveis em estudo e assim uniformizar os cuidados prestados a estes doentes.

intervalo de datas

  • fevereiro 2, 2026 - agosto 1, 2027