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Visão geral
resumo
Apenas 1% da água doce está disponível para ser utilizada pela humanidade. No entanto, as
atividades da nossa espécie são as principais causas de degradação da qualidade deste recurso
e dos ecossistemas aquáticos dulçaquícolas que, apesar de serem essenciais para a
sobrevivência da humanidade, são considerados como sendo dos ecossistemas mais
ameaçados do Planeta. Assim, é crucial a sensibilização dos cidadãos para que sejam adquiridas
atitudes que despertem uma cultura que promova o uso sustentável da água, dos rios e dos
lagos. Apresentam-se e descrevem-se três atividades experimentais, realizadas com materiais
de fácil aquisição e utilizados no dia-a-dia, cujo objetivo é sensibilizar para: (1) a importância da
conservação do coberto vegetal terrestre para a manutenção da qualidade da água, sendo
possível realçar a importância da manutenção da conectividade lateral entre os sistemas
aquáticos e a paisagem terrestre circundante; (2) os efeitos da substituição das espécies
autóctones da mata ribeirinha por espécies exóticas, como acácias e eucaliptos, nos processos
ecológicos que ocorrem nos cursos de água. Estes efeitos são avaliados, experimentalmente,
através da comparação das taxas de decomposição das folhas das espécies de árvores
autóctones e exóticas. Esta atividade experimental também dá a conhecer as comunidades de
macroinvertebrados bentónicos e a sua importância para a manutenção dos serviços
ecossistémicos providenciados pelos ecossistemas aquáticos e (3) sensibilizar para o importante
papel das plantas aquáticas na purificação da água de rios e lagos, que será observado através
da construção de um pequeno protótipo de uma ilha flutuante como solução baseada na
natureza. Estas atividades podem ser desenvolvidas por diferentes grupos etários e níveis de
ensino, desde que devidamente adaptadas.
Os ecossistemas aquáticos dulçaquícolas possuem níveis elevados de biodiversidade e
oferecem uma ampla variedade de serviços ecossistémicos à humanidade, destacando-se o
fornecimento e purificação da água. No entanto, estes ecossistemas, bem como uma elevada
percentagem da biodiversidade que lhes está associada são considerados como sendo dos mais
ameaçados a nível mundial. Em consequência da perda acelerada da biodiversidade, os serviços
ambientais que rios e lagos prestam estão em processo de rápida degradação, colocando em
risco as populações humanas que deles dependem. Apesar da sua comprovada importância
para a sobrevivência da civilização, o funcionamento de rios e lagos, bem como a biodiversidade
associada, ainda são praticamente desconhecidos do público em geral. Esta falta de
consciencialização, resultante, em parte da não abordagem destes temas nos processos de
educação formal, dificulta, em muito, a implementação de ações que permitam o
desenvolvimento de programas de conservação/reabilitação dos ecossistemas aquáticos
dulçaquícolas. Assim, os objetivos do presente artigo são: (1) dar a conhecer o funcionamento
geral dos rios e lagos e a biodiversidade que neles ocorre; (2) demonstrar que os serviços
ambientais que estes ecossistemas prestam dependem da biodiversidade; (3) enunciar formas
que permitam tirar o melhor partido destes serviços ambientais no nosso quotidiano (e.g. piscinas
e métodos de tratamento da água “amigos do ambiente”; (4) apresentar ideias de como os
cidadãos comuns podem contribuir para a conservação destes ecossistemas e dos serviços
ambientais que lhes estão associados.